sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

sou

sou o início.
artigo definido, mas nunca frase completa.
desfaço-me em leve fumaça cinza metropolitana.
nas caras pintadas, sou personagem de mim.
nas ideias tortas e retas tento ser, sem censura.
sou confusão que se enlaça em fita de cetim vermelha.
sou piano e guitarra, na melodia, por vezes, perfeita.
sou escova de dentes com pijama de bolinha lendo na cama.
vestido clássico em noite de festa.
a divisa entre o sim e o não, com direito à placa "bem-vindo a".
poema barroco.
erro.
sou sonho enganado, fantasia carnavalesca.
sou pontos, linhas, vírgulas, exclamações, interrogações, parágrafos...reticências...
montanha de coisas, posso dizer.
montanha de tudo, posso dizer.
às vezes, montanha de nada.
também sou o vazio. um vazio cheio do nada.
sei ser emoção, alguém passageiro, alguém descansando.
e clichês, dúvidas, gírias, dicionários, revoluções, auroras, canções, dias da semana, minutos da hora.
sou dois olhos e um nariz e uma boca e um corpo e muita mais.
gotas no oceano ou oceano de gotas.
às vezes, sou grande e só me vejo.
às vezes, sou pequeniníssima, poeira no porão.
às vezes, sou no ar, passarinho.
às vezes, sou no mar, tubarão.
às vezes, sou na terra, humana.
um recomeço, o fim de um texto.
um ponto final.
uma perplexidade, que nem sei se sou.
sou?

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